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NOIVA SEM SABER

Atônita. Pela primeira vez desde que nasceu, Gabriela estava sem palavras.

O irmão havia beijado realmente Catherine em sua frente. Os dois pareciam ter uma relação inegável e ela começava imaginar ser este o motivo pelo qual as sobrinhas adoravam a companhia da mulher.

Em sua mente, Gaby já presumia que o irmão estava em uma relação a tempos. Também presumindo que se estivesse certa Jonathan jamais a confirmaria de primeira, Gabriela optou por guardar os esforços interrogativos e como um velho ditado diz "dar tempo ao tempo".

— Tempo uma ova! — Disse a si mesma, após cinco minutos observando a interação entre o irmão e a "cunhada".

Ignorando o surto da irmã ao seu lado, o CEO se focou na filha nos braços de Catherine.

— Por que ela chora tanto?

— Bem, pelos puxões que ganhei, aposto que ela está com fome. — Cat falou chutando de forma certeira.

— Gabriela, onde está o carrinho e a mala da Cloe? — Jonathan voltou-se para a irmã, quem se encontrava sentada na poltrona ao lado da maca no quarto.

— Eu não trouxe, achei que estava vindo buscar você pra irmos embora.

— Sabe, raras são às vezes em que peço algo a você ou ao Gabriel, mas vocês sempre conseguem me ferrar, não é?

— Em minha defesa, maninho, você não mandou mensagem. Esperava que eu me lembrasse de um detalhe como esse? — Ela rebateu com outra pergunta ao irmão.

— É um senso comum Gabriela, não se sai de casa com um bebê, sem as coisas do bebê. — O CEO disse pegando a filha nos braços.

Olhando para o estado de Cloe à sua frente, Jonathan não pensou duas vezes. Saiu do quarto, chamando por uma enfermeira ao corredor e pedindo para que avisassem ao doutor para desmarcar o checkup.

— É a sua saúde Jonathan. Não pode simplesmente deixar pra lá! — Catherine o disse pulando formalidades.

— As meninas precisam ir pra casa.

— E o que você precisa, não importa?

— Eu posso vir outro dia. — Disse dando de ombros.

— Ótimo, vamos ver se vai querer adiar se as coisas ficarem feias. — Catherine saiu da frente dele irritada e carregando a bebê consigo.

Gabriela, quem era um pouco lenta para certas ocasiões, mesmo depois de a enfermeira, Catherine e Beatriz se retirarem, ainda permaneceu na poltrona encarando o rosto do irmão.

— Preciso me trocar pra ir embora Gabriela.

— Ah, entendi. — Ela se deu conta e então se levantou saindo do quarto.

No corredor, enquanto as mulheres Cohen e Catherine aguardavam, o choro da bebê tornava-se audível por cada metro quadrado da planta do hospital.

A coisa toda estava tomando proporções tão grandes que algumas das enfermeiras pararam diante de Catherine, questionando se havia algo errado com o bebê.

— Podemos ir. — Jonathan disse saindo do quarto.

Todas se levantaram, Catherine com Cloe suspensa pelo braço direito e Bea segurando-a pela mão esquerda.

— Vamos ou alguém vai morrer de fome. — Cat disse, preocupada com os gritos da pequena em seus braços.

Caminhando rapidamente para fora do hospital, o chofer esperava parado em uma das vagas mais próximas da saída do estacionamento.

O percurso no GPS do carro mostrava a rota traçada para casa dos Cohen como uma parada e mais vinte minutos para a chegada ao bairro da produtora, já que sua casa ficava mais afastada do centro da cidade.

Catherine parecia se doer mais e mais com as intensificações do choro vindo da bebê e assistindo a pequena mudar de claro como a neve para vermelho cereja, as preocupações dobraram.

— Pode amamentar ela? — Jonathan pediu.

Assentindo com a cabeça, Catherine olhou uma vez pelo espelho retrovisor e concluindo que talvez o chofer não ligasse, puxou metade na blusa para cima e ajustou Cloe em seus braços lhe oferecendo o seio esquerdo.

Uma careta surgiu no rosto da jovem mulher, pois a sugada da bebê não era para nada fácil, pelo contrário, se sentia muito forte para um ser tão pequeno e fofo.

"Pai, o que ela ta dando pra Cloe?" Catherine ouviu Beatriz perguntar em alemão.

O pai parecia ter dificuldades em explicar e resumiu a dizer "leite" no mesmo idioma da filha.

Após alguns minutos na atividade, se sentia muito mais confortável a amamentar e ela fechou os olhos aproveitando o silêncio na van.

O veículo preto de vidros blindados, não era algo que se poderia chamar de discreto dado que o senso comum apontava para um milionário comprador, mas ao menos era muito espaçoso e confortável por dentro, além de caber facilmente onze pessoas incluindo o chofer.

Distraída com a tranquilidade oferecida no ambiente da van, Catherine acabou adormecendo enquanto amamentava, porém surpreendentemente não soltou Cloe por nenhum segundo fazendo com que a garotinha também se sentisse segura e preenchida para dormir.

O CEO sentado ao seu lado na van, serviu de escora para a cabeça da produtora que tombou sobre seu ombro.

Dezoito minutos depois, já estacionavam na mansão e Beatriz foi a primeira a sair do carro, seguida de Gabriela que estava como paparazzi atrás do irmão, por pouco não o tirando do sério.

Acordar Catherine não era algo que ele quisesse fazer, pois ficou balançado pela forma com que o rosto da mulher adormecida se tornava mais lindo com um sorriso causado pelos sonhos.

Mas centrando-se lembrou que não havia outra forma.

— Srta. Ashton? — A chamou.

Sacudiu levemente seus ombros, em busca de que ela abrisse os olhos, entretanto não estava nada fácil.

— Catherine? — Levantou um pouco mais a voz. — Cat?! — A chamou mais alto, tocando seu rosto.

A sentia quente, mais quente do que nas vezes em que se aproximavam demais.

— Droga, algo está errado. — Ele disse, pegando Cloe dos braços da mulher e em seguida gritando a irmã.

Quando Gabriela voltou para próximo da van, o irmão entregou a sobrinha e pediu para que chamassem o dono da mansão vizinha, que costumava ser clínico geral.

Descendo do veículo, depois de retirar os cintos de Catherine, Jonathan a pegou no colo e levou para dentro da casa não imaginando que daria de cara com uma reunião inesperada.

Na sala de estar se encontravam seu pai, Jorge, seus primos Marcelo e Pedro, além de Gabriel, e a pior de todos, Lia Deschamps, sua futura noiva.

Adivinhando o que ter todos reunidos significava, Jonathan atravessou pela sala de estar com Catherine despertando aos poucos em seus braços.

— Quem é esta mulher, Jonathan?— É a primeira pergunta feita por seu pai.

E com o intuito de não deixá-lo falar mais, Jonathan a apresentou, deixando não só o pai, mas a todos igualmente sem palavras.

— Esta é Catherine Ashton. Minha futura esposa.

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